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terça-feira, 9 de abril de 2013


Logo que peguei o livro foi inevitável vir à cabeça a música tema do filme “O poderoso chefão”. Mas este livro conta uma história real, a história da família Bonanno, uma das famílias “Cosa Nostra”, pertencente à máfia ítalo-americana. Como o título já adianta, o foco é o chefe da família, Joseph Bonanno e principalmente seu filho mais velho e “sucessor”, Bill Bonanno. Tudo começa quando o velho bonanno é aparentemente seqüestrado e Bill se vê sozinho para resolver os problemas dos “negócios” da organização (é assim que se auto-entitulam) e descobrir o que realmente aconteceu com seu pai. Um começo que dá ao livro ares de mistério policial. É assim que vamos começando a entrar neste mundo tão romanceado pelos filmes, um mundo tão estereotipado pela cultura de massa. Aos poucos nos sentimos íntimos da família. Conhecemos sua história desde o início da máfia na Itália, seus primórdios sicilianos. Ficamos por dentro de conflitos que poderiam ser de nossas famílias, brigas de casal, de irmãos, primos. As diferentes personalidades que podemos encontrar em uma só família.

A família Bonanno poderia ser uma família como qualquer outra, não fosse suas principais fontes de renda serem ilícitas: loterias, venda de segurança, agiotagem entre outros. É surpreendente ver como esse universo não é tão cheio de emoção e ação quanto pensamos, ou quanto o cinema nos faz crer. A máfia pode ser muito violenta, mas na maior parte do tempo seus integrantes viviam se escondendo pelos cantos, chegando a passar dias trancados em alguma casa vendo TV. Fica claro que Talese se tornou realmente amigo da família por causa da riqueza com que conta detalhes íntimos da relação conturbada de Bill com sua esposa Rosalie, por exemplo. Essa relação do escritor com suas fontes é polêmica até hoje, mas é mais fácil de ser compreendida quando se lê sua obra e se tem essa sensação de humanização de algo tão terrível quanto a máfia. Você se apega um pouco.

O único entrave do livro é sua extensão, que faz com que em alguns momentos a leitura seja um pouco maçante. São anos de história de uma família é um único livro. E só por este motivo não daria um 10 de nota, e me sinto muito mal por isso. No entanto, também não posso esconder que ele pode ser cansativo em algumas partes, talvez não tão cansativo quanto as horas de espera de Bill em seus esconderijos. O que não deixa a saga toda não ser cativante, ainda mais porque mostra uma época anterior ao “boom” das drogas no mercado negro. O que hoje representa a principal fonte de renda no comércio ilegal era desprezado pelos ítalo-americanos como algo menor, algo para negros e latinos. Uma época em que mafiosos faziam questão de usar ternos alinhados e colocavam suas famílias, esposas e filhos acima de tudo, como algo sagrado. Uma época com um certo charme, não podemos negar.

*Na foto: Joseph Bonanno

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Depois de um longo período de extrema pobreza e vida acadêmica conturbada consegui aumentar minha biblioteca pessoal!



Primeiro parei de ler o "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" por pura falta de tempo e paciência. Falta de paciência, principalmente, com o excesso de comentários pessoais dos autores no livro. Nisso, fazia tempo que não dava uma olhada na biblioteca pública central da minha cidade. É sempre uma visita produtiva. E dessa vez encontrei uma edição antiga do "Honra teu pai" do Gay Talese, com o nome bizarro de "Os honrados mafiosos". Estou com o livro, lendo e adorando! Sempre que pego ele me vem na mente a música tema do "Poderso Chefão".


Uns R$50 nas livrarias! :(

Justamente por causa dos preços abusivos das livrarias que novamente recorri ao querido "Estante virtual". Adquiri por um preço camarada três títulos:


  • "Além de Darwin" - Reinaldo José Lopes: este eu estava querendo há um bom tempo. Falam muito bem deste livro. Pra quem tem interesse em biologia evolutiva, fica a dica!
  • "Breve história de quase tudo" - Bill Bryson: também vi ótimos comentários a respeito. Para quem também tem interesse em ciência mas não é estudioso da área, assim como eu.
  • "Realidades Adaptadas" - Philip K. Dick: lançamento que consiste numa coletânea com as principais histórias do autor, incluindo as que inspiraram os filmes "Blade Runner" e o "Vingador do futuro". Fãs dos filmes e de ficção científica não podem perder!

Também adquiri outros 3 livros em uma feira que está acontecendo no shopping de Diadema. Em meio a centenas de livros de direito e de auto-ajuda consegui garimpar títulos legais por bons preços:


  • "501 grandes escritores" - Julian Patrick: Adoro livros sobre literatura. Sempre trazem novas informações sobre os autores que você gosta e te apresenta muitos outros escritores. Este livro em especial me interessou pela organização cronológica por períodos.
  • "O assassinato e outras histórias" - Anton Tchekhov: Há tempos estou querendo ler algo deste autor. A edição que comprei é de uma coleção da Editora Abril, muito bonita e de capa dura.
  • "Precisamos falar sobre Kevin" - Lionel Shriver: Este best-seller também já estava na minha lista de desejos. Infelizmente a capa da edição que comprei é com uma imagem do filme baseado nele. Tinha achado ele em pdf na internet, mas ainda não consigo ler na tela do computador, continuo com o papel mesmo.

E por último comprei um presente para o namorado:

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

(Resenha do livro "O reino e poder" de Gay Talese que escrevi em 2010)

Mesmo com toda a sua ambição, Adolph Ochs provavelmente não imaginava a proporção que seu novo negócio tomaria dentro da história mundial. O New York Times era um jornalzinho de folhetins românticos em seus primeiros tempos de vida, até que Ochs o comprou.
Uma das empresas de comunicação mais importantes da história, quase um sinônimo de jornalismo, tem sua história contada por Gay Talese. Tido como o principal nome do chamado new journalism, Talese começou sua carreira no Times. Assim como tantos outros grandes nomes que surgiram dentro da redação da Rua 43.

Em “O Reino e o Poder”, Talese mescla sua vivência com uma intensa pesquisa para levar o leitor para dentro das salas do Times, sua redação, suas reuniões. A história do jornal e suas relações com os fatos históricos mais marcantes é levada pelas breves biografias de seus chefes, diretores e repórteres. Os homens que ajudaram na construção da “catedral” de Ochs. Entre essas histórias estão intrigas, desentendimentos, relacionamentos amorosos, mas no final parece sempre prevalecer os valores e princípios instituídos pelo velho Adolph desde o início do Times.

A fidelidade a esses princípios é mostrada como o fator de sustentação do império New York Times, o império Ochs. As profundas raízes do poder do Times, poder que o fez ter nas mãos momentos vitais do país e do mundo. Que fez com que sua cobertura do cotidiano fosse tão marcante quanto a de fatos históricos como a morte do presidente Kennedy. Excelentes profissionais contando tudo que tivesse importância a partir do lema exposto em vários lugares do jornal: “dar as notícias com imparcialidade, sem medo ou favor”.

O poder do jornal, em si, não é o que surpreende na narrativa de Talese. O destaque fica com os Timesmen. E com Talese tendo sido um deles, fica evidente o encanto que seu berço jornalístico ainda produz em suas impressões sobre o Times. Mesmo enfatizando que o jornal era feito por humanos, a insistência em colocar acima de tudo o quanto os veneráveis valores de Ochs prevaleciam é a maior prova da paixão do autor pelo veículo. Esse afeto do autor pelo jornal não pode ser esquecido por quem pretende analisar sua história através de “O Reino e o Poder”.

No final de toda a história é inegável dizer que Gay Talese construiu seu livro, sua versão da trajetória do jornal mais influente do mundo, como se propôs a fazer. Como explica no posfácio escrito em 1992: “eu queria escrever uma história humana de uma instituição em transição, um livro que contaria mais sobre homens que cobrem as notícias do que sobre as notícias que cobrem, uma história factual sobre várias gerações de Timesmen e a interação entre elas, as cenas, os confrontos e ajustes internos que fazem parte da vitalidade e do crescimento de qualquer instituição duradoura”.